Stevie Ray Vaughan e sua guitarra Lenny

Stevie Ray e sua guitarra Lenny

Stevie Ray e sua guitarra Lenny

Outubro de 1980 – o jovem Stevie, até então conhecido como o “irmão do guitarrista Jimmy Vaughan” ganha de presente de sua esposa Lenora a guitarra que ele havia cobiçado recentemente em uma loja de penhores, mas não havia conseguido juntar os 350 dólares pedidos por ela.

Sua esposa fez uma vaquinha entre os amigos dele e entregou em seu aniversário esta Fender Stratocaster ’65. Originalmente uma sunburst, sua pintura havia sido removida e, no lugar, aplicado um acabamento natural avermelhado.

Existem diversas outras lendas e detalhes sobre esta magnífica guitarra, mas em termos de timbre, o fato mais importante é que na mesma noite em que a ganhou, ele compôs a música de nome “Lenny”, uma serenata de levada um tanto diferente dos típicos blues-rock a 120bpm. Para quem escuta SRV com frequência, é fácil notar que o timbre dele nessa música é diferente, assim como em “Riviera Paradise”, outra música lenta de timbre clean. 

Apesar de pouco (ou nada específico) ser mencionado sobre os captadores desta guitarra, é óbvia a diferença para o timbre da Number One, deixada de lado nas apresentações ao vivo para essas duas músicas. 

Parece que foram precisamente ajustados para as faixas de frequência dessas músicas:

– graves não tão fortes, que praticamente não distorcem, mesmo quando martelados pelo SRV
– médios bem pronunciados e cheios de harmônicos, principalmente das notas tocadas nas 2 cordas superiores
– agudos bem definidos, talvez por uma compressão natural dos captadores. O SRV não é conhecido por utilizar pedal de compressão, mas sim pela pegada nada leve nas cordas 0.11. Até mesmo pois um pedal de compressão não seria seletivo nas frequências médio-altas. Os agudos já são mais fortes, com uma “acidez” perfeita para gritar nos solos com o TS-808 sem ser estridente.

Escutem neste vídeo, ao vivo em Tokio:

A safra de Fenders de 1965 é controversa, ano em que Leo Fender vendeu a empresa para a CBS, que começou a modificar os instrumentos para redução de custos. Talvez a Lenny seja uma das últimas intocadas pela CBS, o que teria feito os olhos de SRV brilhar na vitrine da loja de penhores em 1980. 
Ou, mesmo produzida sob novas diretrizes, levou captadores que já estavam no estoque, da safra de 1964.

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A guitarra original foi arrematada em um leilão pela rede Guitar Center, pela bagatela de 625 mil dólares. Eles então correram na Fender e pediram para produzirem réplicas Custom Shop, as SRV Lenny Stratocaster, copiadas nos mínimos detalhes. Apenas 185 unidades foram / serão produzidas, com o preço final ao consumidor de exorbitantes US$ 17 mil cada.
Acabo de ver uma usada por US$ 27 mil no eBay…

Para os que curtem Stevie Ray Vaughan e esse timbre incrível (na linha do John Mayer no álbum Continuum e turnê Where the Light Is), convido a conhecerem os captadores Growl LennyTone by Malagoli!

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